PistonCzar Spot

Janeiro 7, 2008

Telhadela SA – O Mamífero Hipomorfo

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:10 pm

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Já repararam no título de hoje? Tenho mesmo muito orgulhe nele. Sabiam que o cavalo é um mamífero hipomorfo? Eu sim. Nhã Nhã Nhã Nhã. (O ilustre leitor não está a ver, mas neste momento eu tenho as mãos abertas atrás das orelhas e tenho a língua de fora. Pergunta pertinente: “Com que é que eu estou a escrever no teclado?”. Resposta indecente: “Use a sua imaginação meu caro leitor!…”)

Hoje volto a referir-me a Telhadela SA e volta a não ser pelas melhores razões. Parece que está de volta a folha de necrologia de Telhadela. Isto porque apesar de eu gostar bastante de ser visitado por pessoas em idade jovem, acho que devo tentar atingir novas faixas etárias. Quero tornar este blog algo global. Para se lido – e tido como útil a provocar o vómito – a pessoas dos 8 meses aos 108 anos. Podem ter a certeza que não fico feliz com menos.

Por esta altura já o meu caro leitor deverá estar a levar as mãos à cabeça exclamando com desdém: “Este gajo parece a secção de necrologia do JN.” Pois bem meu caro leitor, desde já lhe digo que essas páginas do jornal merecem a atenção especial de muitas pessoas, especialmente aquelas mais idosas, que ao verificar a idade do falecido dizem invariavelmente: “Ahh! Era tão novo!”, tivesse o defunto em questão 50 ou 75 anos. Realmente há coisas que eu não consigo entender. Terei mesmo que esperar pela maturidade para poder ver o inacreditável interesse da necrologia (acreditem que agora é absolutamente inacreditável…). Se calhar aquilo até é interessante. É possível que eu próprio seja um dia um ancião que lê com a atenção a necrologia. O que é claramente possível, uma vez que para ser um dia um ancião, basta-me não fazer nada de realmente estúpido até lá chegar (tipo morrer, etc.).

Faleceu recentemente o eterno proprietário do cavalo de Telhadela. Ultimamente já não era uma gaboso proprietário de um lustroso equídeo, estando antes remetido a um lar de idosos. O que é muito mau, uma vez que na sua casa própria tinha uma divisão que se pode chamar principal – a cozinha – uma vez que albergava não apenas os utensílios que todos nos guardamos numa cozinha: pratos, garfos, facas, podões, foicinhas (nestas a opinião divide-se, mas é minha convicção que o lugar das foicinhas é na cozinha) até enxadas, forquilhas, bem como outras pequenas alfaias agrícolas. Não se escandalizem já com tudo isto, há uma muito boa razão para que este senhor guarde todos estes objectos na cozinha: assim sabe sempre onde eles estão. Nunca lhe irá acontecer aquela situação verdadeiramente embaraçosa que é perguntarem-lhe onde é que ele guardou a sachola e ele não saber se há-de responder alpendre ou cozinha. É um bom método quanto a mim.

Não tenho a certeza que a malta do lar o tenha deixado levar as machadas para o quarto. Ainda gostava de saber como foi quando lhe perguntaram pelas machadas. É que, ainda por cima, esta é uma das perguntas que a malta do lar está sempre a fazer. São mesmo sacanas!!!

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Janeiro 4, 2008

Telhadela SA – O Sr. César

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 7:41 pm

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Hoje volto a citar um residente de Telhadela pelo seu nome próprio. Bem sabem como é raro eu proceder desta forma, pelo que já devem estar à espera que esta seja uma situação extraordinária. A tudo isto deverá ser acrescentado o facto de hoje ser sexta, um dia que não é tradicionalmente consagrado à categoria Telhadela SA. Por tudo isto, pode dizer-se que hoje é um dia extra-extraordinário. Tristemente extraordinário.

Hoje foi a enterrar o Sr. César, certamente alguém que eu não via amiudadas vezes, mas ainda assim alguém por quem eu tinha a mais alta consideração. Pela sua dedicação e empenho à causa comum. Pela sua forte vontade de fazer chegar o nome de Telhadela a toda a gente pelas melhores razões. Pela sua alegria. Pela sua educação e honradez. Pela sua simplicidade. Por não necessitar de protagonismo. Por tantas coisas que nem sequer cabem aqui todas.

O Sr. César foi o responsável anos a fio pela Marcha Popular que era organizada em Telhadela por volta do S. João. Não é que eu gostasse especialmente do conceito de marcha popular, mas sempre achei uma iniciativa interessante. Não exactamente por estarem umas dezenas de pessoas vestidas com umas roupas coloridas entoando canções simples enquanto que põem em prática uma coreografia de “mão na ilharga”, mas sim pelo efeito de segunda ordem que é colocar umas dezenas de pessoas num mesmo espaço durante alguns ensaios semanais a tentar criar algo em conjunto. Por mais comezinho que seja esse algo.

O exemplo do Sr. César deve ser exultado – sim senhor – mas mais que isso, é um exemplo que deve ser replicado por todos nós. O que eu espero é que todos e cada um de nós o consiga.

Cumprimentos amigos a toda a família enlutada.

Janeiro 3, 2008

Telhadela SA – O caçadeira apagadora

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 7:41 pm

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Por alguma razão que eu nunca entenderei, parece que toda a gente em Telhadela é um caçador em potência. E porquê em potência? Em potência porque a maior parte da malta de Telhadela não se dedica realmente a essa arte milenar que é a caça. Uma caça que é realmente muito velha. Não é por acaso que por vezes se diz que algo é tão velho como o caçar (ou será cagar? Nunca sei…) para se referir a algo mesmo muito velho.

Em Telhadela, estes caçadores podem ser designados como “em potência”, porque apenas se limitam a ter uma caçadeira em casa. Mesmo alguns objectores de consciência têm destas armas em casa. E usam-nas. O que me parece algo de realmente estranho.

E qual é o dia em que todas estas caçadeiras veêm a luz do dia?… Ou melhor a luz da noite? Qual é? Qual é? Por esta altura já está o meu caro leitor pulando na sua confortável cadeira gritando: “Esta eu sei! As caçadeiras saem todas à rua no dia 31 de Dezembro. Mesmo na altura das 12 badaladas”.  E neste caso, por maior que seja a minha vontade de dizer que o meu caro leitor não é assim muito inteligente (o que me parece uma conclusão óbvia, já que caso fosse inteligente não seria certamente meu leitor…), terei de dizer que o meu prezado leitor acertou em cheio.

E porque é que todas estas armas se ouvem troar no último dia do ano? Não sei. Parece-me que afinal o nosso Conquistador Henriques não fez um trabalho competente. Ainda há réstias de mulçulmanos em Telhadela, algo que pode ser claramente confirmado pela vontade de festejar algo com tiros para o ar. Parece que afinal nem tudo nos separa dos muçulmanos como eu havia – erradamente – dito ontem.

Chamo neste ponto atenção do meu ilustre leitor que a mistura entre bebidas alcoólicas em excesso e armas de fogo é um substrato bastante promissor para fazer aí germinar bonitas histórias de idiotice em estado puro.

O problema dos tiros para o ar na rua em frente a casa durante a noite de passagem de ano é que não há grande coisa para testar a pontaria. Não havendo cabos das forças armadas há que apontar para os cabos eléctricos. E não é que por vezes estes fogachos acertam em cheio? O que parece paradoxal, uma vez que o atirador têm de estar bastante bêbado para ser pôr a disparar para cabos eléctricos, mas ao acertar prova que afinal não está assim tão bêbado.

Hoje Telhadela acordou sem energia eléctrica, o que vem acrescentar um novo ponto que poderá resolver o paradoxo:

– o atirador está muito bêbado e põe-se a atirar para os cabos de electricidade;

– o atirador não está assim tão bêbado, já que acerta nos cabos;

– o atirador afinal estava mesmo muito bêbado, já que se enganou no dia. Estourou os cabos com dois dias de atraso.

Oh David! Deixa-te disso homem!

Dezembro 20, 2007

Telhadela SA – A falta de tempo e a guerra leiteira

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:26 pm

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Hoje escrevi um post magnífico. Só que não o quis publicar porque iria arruinar a qualidade deste blog. A qualidade iria subir ligeiramente e isso não é coisa que eu queira.

Amahã colocarei aqui um post com a qualidade a que já vos habituei. A pior qualidade que já vos foi dada a apreciar.

Até amanhã.

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Pois bem, como hoje já é amanhã vou escrever-vos o post que vos prometi. Vou até fazer uma que eu considero muito divertida. Vou pegar em dois assuntos aparentemente imiscíveis e vou juntá-los e fazer deles um post também ele sem o menor sentido. Têm dúvidas? Então reparem nisto.

Os assuntos aparentemente impossíveis de relacionar são a guerra e o leite. 

Há muito tempo, na nossa amada terriola, havia um miúdo que foi atropelado por um camião de transporte de leite. Foi uma grande tragédia, uma vez que este adolescente viria a falecer em tenra idade devido a este mesmo atropelamento. Já no funeral do miúdo, quando estavam reunidos todos os rapazolas de idade semelhante ao defunto, gerou-se um silêncio deveras desconfortável. O irmão do defunto, também ele nesse grupo, para combater tal silêncio lembrou-se de uma tirada fantástica: “Olha… este [pelo seu irmão defunto] é que está bem! Pelo menos já não vai à tropa.”

Não sei em que medida é que ser esmagado por um camião de transporte de leite e acabar por morrer em consequência disso poderá ser melhor que ir à tropa. Mas… cada cabeça sua sentença. E eu não detenho a verdade absoluta.

Este parece-me claramente o indivíduo mais merecedor do grande prémio do júri (que sou eu próprio) para a categoria “Mais vale permanecer calado e parecer um imbecil que abrir a boca e dissipar todas as dúvidas”. E é isto.

 

Dezembro 18, 2007

Telhadela SA – O rally tascas

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 7:46 pm

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Há nomes próprios que ninguém tem. Ou pelo menos ninguém teria se os seus progenitores gostassem pelo menos um bodinho dessa pessoa. Nomes como Eleutério ou Gr0élia.

Gr0élia nem sempre foi Gr0élia. Houve um tempo em que era uma vulgar Goretti, mas devido a diversos acontecimentos de carácter alcoólico tal acabou por não ser assim. Eu explico.

Certo dia um casal concebe um criança do sexo feminino, à qual decidem chamar Goretti. Chegada à altura do nascimento, a mãe da criança fica no hospital a fazer companhia à recém-nascida (como convém!), enquanto que o pai se vem embora. Vem-se embora com a simples tarefa de ir registar a nova menina. Convém dizer aqui que ele não foi para lá directo. Teve um rally tascas no mesmo dia. Não havia nada a fazer. Ele tinha marcado um rally tascas para esse dia e não tinha hipótese de simplesmente não ir. Na verdade tinha-se comprometido a ir um rally tascas em todos os dias da sua vida, mas isso agora não interessa nada. Pois bem, quando chegou em frente à senhora do registo já estava a comer algumas sílabas, uma vez que toda a gente sabe que faz mal beber sem comer. Ao tentar dizer Goretti saía sempre algo que mais parecia “Gorila”. A senhora do registo achou aquilo tão estranho que ao fim de uma acesa discussão acabou por escolher o nome Gr0élia para dar à filha daquele senhor.

E esta é a história da Maria – programada Goretti, possível Gorila, mas que acabou por ser Gr0élia.

Dezembro 13, 2007

Telhadela SA – A guerra civil

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:18 pm

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Depois do post de ontem veio-me à memória a história de um indivíduo de Telhadela, se bem que emigrado há muitos anos, que quando numa quezília no tasco da aldeia com outro indivíduo da mesma raça, lhe prometeu que caso houvesse uma guerra civil a primeira coisa que faria seria dirigir-se a ele e matá-lo.

E é só isto. Por vezes esta simplicidade é incrivelmente reveladora, especialmente a dois níveis:

– Porque é que estes nossos conterrâneos não aproveitam a sua experiência no estrangeiro para evoluir e trazer-nos essa evolução para nos fazer evoluir também? Parece que estes emigrantes estão numa espécie de purgatório, não evoluindo com a sua sociedade de acolhimento nem como a sua sociedade de origem.

– Como diria A. Einstein, só há duas coisas infinitas no universo: o próprio universo e a estupidez dos homens.

Dezembro 11, 2007

Telhadela SA – A especialidade

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:52 pm

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Tal como eu havia alertado em tempo oportuno e sede própria, em Telhadela procura-se furiosamente o ser o maior em alguma coisa ou ser especialista em algo. No fundo é um reflexo da sociedade globalizada que se faz sentir na sociedade da nossa bela aldeia – também ela global. A globalização, para além de trazer com ela manifestações sempre que se reunem os chefes de estado das nações mais desenvolvidas, traz também a necessidade de especialização dos indivíduos. A razão é bastante simples, basicamente é porque é manifestamente impossível estar apto a cumprir uma determinada gama alargada de tarefas. A complexidade de cada uma dessas tarefas impede que isso aconteça.

Assim há quem se especialize nas coisas mais variadas. Há muitas pessoas que se especializaram ao longo de muitos anos na construção de fornos. É um destes casos que vos trago hoje.

Este homem, quando confrontado por alguém para que lhe construísse um forno, respondeu-lhe que esta era a sua especialidade e que não havia nada no mundo que ele soubesse fazer melhor que fornos. Só não afirmou a pés juntos a este potencial cliente que tinha tirado o curso técnico de construção de fornos na Universidade da Beira Interior (pólo de Fornos de Algodres) porque não se lembrou. Ou então terá sido porque não existe um tal curso. Mas uma coisa vos digo, a Universidade da Beira Interior só perde por isso.

O petencial cliente, ao ver uma convicção tão grande por parte deste homem, confiou-lhe imediatamente a tarefa de lhe construir o tão almejado forno.

Já depois do forno construído, e enquanto o construtor e o dono do forno contemplavam uma tal obra de arte, o construtor afirmou para o dono: “Está um bocadinho torto… mas não está mal para o primeiro que eu faço!”

Como se vê pelo exemplo (tirado dentre inúmeros!), há pessoas dee outras localidades que se dedicam uma vida inteira para serem especialistas em algo enquanto que em Telhadela, é-se especialista mesmo antes de se fazer alguma coisa. É algo que nasce connosco. O então é do ar que se respira cá. Garanto-vos que é alguma coisa.

Dezembro 6, 2007

Telhadela SA – O Aproveitamento

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:23 pm

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Hoje vou falar de aproveitamentos. Poderia falar sobre aproveitamentos hidroeléctricos, porém não o vou fazer. É demasiado interessante para estar publicado na bosta fumegante que é este blog. Assim vou revisitar de uma outra forma o assunto do post anterior – o que é o chamado aproveitamento, desta vez pela minha parte. Mas os meus aproveitamentos são muito pouco interessantes, daí que passe de seguida ao aproveitamento de outras pessoas.

Certa senhora de Telhadela aproveitava. E aproveitava bem. Para ser franco, aproveitar melhor é impossível. Essa senhora era também bastante concreta e detalhada quando falava de relações para a vida. As suas relações para a vida. Tudo aquilo soava a filosofia – mas da boa!

Essa senhora quando falava com alguém acerca do seu companheiro para a vida, costumava dizer que o tinha aproveitado. Complementava ainda com um necessário: “Ele é feio, não é?”, “Mas tinha 26 anos, olha… aproveitei”. Como se isto não bastasse recorria a uma frase que em minha opinião deveria ser elevada à categoria de mito rural: “Nunca arrrranja nadinha!”. E sobre estes alicerces fortes é que se controem relações ainda mais fortes. Aplaudo vivamente este tipo de atitudes, claramente não ao mesmo tempo que escrevo, mas apenas por impossibilidade física.

Dezembro 4, 2007

Telhadela SA – A incredulidade

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 9:11 pm

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Já pensaram em todas aqueles vezes em que não acreditámos, ocasiões em que fomos os malogrados homens de pouca fé, situações essas em que a falta de fé nos levou a afundarmo-nos? A verdade é que a incredulidade por vezes nos conduz a becos sem saída altamente vexantes, e para os quais a mera meia-volta não é o suficiente.

Por não acreditarmos em algo ou alguém é que muitas vezes chega a suceder o caso ridículo de não acreditarmos na própria verdade. É certo que muitas vezes não acreditamos porque temos uma longa experiência de mentiras anteriores – algo siilar à história do Pedro e o lobo.

Há uns tempos, na nossa amada Telhadela, um casal discutia em sua casa, porque no momento de sair o marido afirmava a pés juntos que iria trabalhar a sua jornada contínua, a sua esposa discordava, dizendo-lhe que ele queria era ir para o café. Algo que não seria de todo invulgar.

Como é que o nosso conterrâneo resolveu este problema? Lançando-lhe um engodo que eu considero magistral: “Se não acreditas em mim, anda comigo e logo verás!”. A sua esposa assentiu imediatamente, porque lhe parece que o seu marido estaria a fazer um bluff de tamanho familiar. Desgraçadamente para esta esposa, desta vez era verdade e ela teve que gramar 8h seguidas dentro do automóvel da família à porta da fábrica onde o seu marido trabalhava e ouvindo os piropos de todos os outros trabalhadores que iam chegando. A piece de resistance desta história é que tudo isto se passou numa fria noite de Inverno.

Não valeria a pena esta esposa ter acreditado naquele a quem jurou amar e respeitar em todas as fases das suas vidas? Sinceramente acho que não, porque dessa forma Telhadela seria um lugar bastante mais insípido para se morar. Ainda bem que assim não é.

Novembro 29, 2007

Telhadela SA – O quê? O quê? Não ouvi…

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:44 pm

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Alguns dias atrás assisti pela primeira vez ao processo através do qual é transformado o bagaço em aguardente. Este processo é uma espécie de metamorfose, em que a larva (o bagaço) se transforma numa bela borboleta (a aguardente) de 21º – tal como mandam as regras. O processo é em si bastante interessante e os apetrechos que permitem essa transformação são também eles interessantes. Mas nada disso bate o aroma do alambique. Realmente espetacular.

Enquanto lá estive armei-me em abelhudo e chateei o alambiqueiro (esta palavra é provavelmente um neologismo) para que este me explicasse todo o processo. Fiquei a saber bastante sobre o processo em si, mas o que o alambiqueiro não me explicou foi os usos que se poderão dar à aguardente. Começando pelos mais comezinhos, podemos por exemplo beber a aguardente, pegar-lhe fogo e assar lá um chouriço, sendo que os usos da aguardente não se ficam por aqui. Como toda a gente sabe, Telhadela sempre foi um lugar de reconhecida vanguarda no uso da aguardente – há até estudos da União Eupoeia que documentam que Telhadela está em vigésimo sétimo lugar a nível europeu no que toca ao avanço tecnológico no domínio da aguardente. Porém estes estudos talvez não devam ser levados a sério, uma vez que foram elaborados por apreciadores de aguardente depois de um dia de provas.

Têm dúvidas do que acabo de afirmar? Então conto-vos uma história que considero paradigmática. 

Certo dia, certo sujeito estava a construir um certo muro de pedra, quanto ao dar uma certa marretada numa certa pedra de uma certa maneira, esta certa pedra parte-se, sendo que uma certa pequena pedra entrou para um certo olho (um daqueles alojados na cabeça…). Este certo sujeito, depois de certas esfregadelas para tentar remover a certa pedra, desistiu, esperando que ao chegar a sua casa a sua certa esposa lhe removesse a certa pedra do certo olho. A chegar à sua certa casa informa a sua certa esposa, que de imediato se dirige à garrafa da aguardente e abeirando-se do certo sujeito, lhe diz: “Lavanta!”, que é como que diz abre o certo olho que tem a certa pedra. O certo sujeito assim faz, e então a sua certa esposa põe a garrafa à boca, bocheca um pouco e “Bbbbrrrrr…” atira-lhe para o certo olho ferido uma baforada de aguardente. Não sei se esta senhora removeu a pedra do olho do seu marido, o que eu sei é que ele certamente esqueceu a dor causada pela pedra. Essa dor foi substituída por uma muito maior devida ao nada natural encontro imediato entre aguardente e um olho ferido.

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