“1 Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. 3 E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? 4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? 5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.”
In Bíblia Sagrada, Mateus 7, 1-5
Hoje trago perante vós uma das experiências estranhas a que fui sujeito. Certo dia, numa outra vida (não com o mesmo sentido que os budistas dão), tive que retirar um argueiro do olho de um meu irmão. Desde de já vos descanso garantindo-vos que nenhum dos meus olhos tem ou alguma vez teve ou terá uma trave. Este meu irmão, bastante vesgo, por um descuido lamentável, deixou que um dos seus olhos fosse atingido por um pequeno pedaço de pedra. Como eu era a única pessoa a quem ele poderia recorrer naquele momento, ele confiou-me a tarefa bastante difícil de remover a incómoda pedra. Para isso retirou da sua algibeira uma lenço de mão de flanela (noto aqui que este lenço havia sido usado pelo menos uma vez por cada um dos cidadãos da República Popular da China, o que em termos grosseiros dá algo como mais 1000 milhões de usos sem lavar), enrola um cantinho do lenço (e para isso desfaz aquela película de ranho seco acumulada à superfície do lenço), cospe-lhe (à distância, o que implicou obviamente que cuspisse para a mão – problema imediatamente resolvido limpado às calças o excesso de saliva), entrega-mo e estende o seu olho aberto para que eu o livrasse daquele desconforto. Eu, depois de recuperar de um estado de estupefação absoluta, lá lhe limpei o argueiro, entreguei-lhe o lenço e recebi o seu agradecimento com um sorriso, lembrando-me do Evangelho com a certeza de que com este acto garanti o meu lugar no céu.

A questão é: Depois de o ajudar lavaste as mãos?
Comentar por Catanadas — Março 31, 2008 @ 11:54 am |