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Telhadela SA – O Carnaval SA

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Antes de mais um ponto prévio. Mas ainda antes desse ponto prévio, um ponto ainda mais prévio. O ponto ainda mais prévio é que gosto de levantar aqui pontos prévios. Dá um certo ar de solenidade e seriedade à crónica. Como todos sabem, os cronistas sérios estão sempre a levantar pontos prévios. O próprio Fernão Lopes (cronista d’el rei D. Duarte e alguns sucessores) praticamente não fazia outra coisa. Assim, e por mais devassa e idiota que esta crónica seja, o que, como sabem os meus leitores mais assíduos, não é algo que aconteça raramente, esta automaticamente fica transformada em algo incrivelmente majestoso. Ou então não.

Passando agora para o ponto prévio propriamente dito, em Telhadela o Carnaval é vivido de forma bastante sui generis, sendo o povo de Telhadela bastante “carnavaleiro”. Já nos tempos em que em Albergaria-A-Velha (ilustre sede de concelho) havia uma festa de Carnaval com o centro da vila a ser fechado para uma meia dúzia de carros alegóricos (que fariam corar o carioca mais seguro de si) circularem por lá. Nesses tempos, Telhadela cumpria sempre o ritual de ter um carro alegórico a representar a aldeia. Penso até que era a localidade mais pequena a agigantar-se para pôr em prática tal objectivo. Eu, que nunca achei piada ao Carnaval (embora reconheça méritos ao Carnaval “à brasileira”), ficava orgulhoso ao constatar tal facto e até ia ver o desfile. Mais raras vezes, cheguei até a participar no desfile. Muito raras, diga-se.

Actualmente, o Carnaval é vivido em Telhadela com dois tipos de máscaras distintos: um com roupas antigas dos antepassados mais remotos e o outro, que é basicamente o mesmo. Na sua maior parte, os foliões são homens que se vestem de mulher e põem uma máscara e umas luvas que os tornam irreconhecíveis. Tornam-se irreconhecíveis apenas com o fito de correr os tascos da aldeia (e da vizinhança mais próxima) e beberem vinho e cerveja por uma palhinha (que é cuidadosamente inserida num dos orifício do nariz da máscara). As restantes pessoas presentes no tasco, com vontade de conhecer a identidade do mascarado, pagam-lhe bebida até que este esteja suficientemente embriagado para se tornar descuidado quanto à ocultação da sua identidade. A assim se consegue uma bela bebedeira apenas com uma ida ao guarda-vestidos da avó e vestindo o vestido que pareça mais ridículo.

P.S.: Peço desculpa a todos os que procuraram novidades minhas nos últimos dias, mas um misto de obrigação e obstipação, a primeira profissional e a segunda intestinal, arredou-me deste estaminé.

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