PistonCzar Spot

Novembro 16, 2007

Por aí – O gato cantor

Filed under: Por aí — pistonczar @ 8:21 pm

Hoje, apenas para contrapôr ao post de ontem, trago à baila um gato cantor. E que cantor. Chega a cantar melhor que alguns dos concorrentes do concurso “Família Superstar” da SIC. Mas também não seria necessário assim tanto em termos de cantoria para ultrapassar um patamar tão ridiculamente mínimo.

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Novembro 15, 2007

Telhadela SA – A salvação animal

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:41 pm

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 A propósito deste post, lembrei-me de uma interessante manhã de alegre convívio entre um pai e um filho. Algo que é anglo-saxonicamente chamado quality time, mas que na língua de Camões resulta num bastante mais abrutalhado “tempo de qualidade”. É uma história de amor e ternura, onde um pai ensina ao seu filho algumas dos pressupostos mais importantes para a vida na sociedade actual.

Era domingo de manhã, e tal como em todos os domingos de manhã, o começo era marcado pela ida à missa. Regressados da luta pela vida eterna, este pai e este filho repararam que havia um gato preso numa jaula – que tinha sido previamente concebida para tal efeito, o que significava que estes dois indivíduos tinham uma tarefa entre mãos. Nada mais nada menos que salvar o gato e conduzi-lo à vida eterna. Para além desta missão principal, este pai e este filho tinham também como objectivo verificar se era ou não verdadeira a premissa popular que diz que os gatos têm 7 vidas.

E agora? Que fazer com o gato? Este pai teve logo a ideia que o melhor seria purificar a alma do gato através de descargas eléctricas. E quantos choques eléctricos seriam necessários? Na realidade foram bastantes, já que foi necessária uma boa meia hora de descargas eléctricas consecutivas para salvar da perdição da vida terrena aquele gato pecador.

Isto é aquilo a que se pode chamar uma manhã de domingo bem passada.

Já no século XV (ou XVI…) Leonardo da Vinci dizia, sempre que instado a falar sobre o assunto:

“Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem”.

Pois bem, caro Leonardo, esse dia ainda não chegou. E não me parece que se aproxime a grande velocidade.

Novembro 14, 2007

Injustiças – As mudanças

Filed under: Injustiças — pistonczar @ 7:06 pm

De maneiras que é assim: Há mudanças prometidas para amanhã. Até lá.

De maneiras que hoje já é amanhã e as mudanças que prometi cá estão.

Novembro 13, 2007

Telhadela SA – O poço da morte

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 7:41 pm

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Hoje vou realizar uma sequela da saga dos dois irmãos deste post. Só que desta vez vou juntar-lhes também uma prima (ou algo legalmente equivalente) e um monte de palha, o que misturando bem e levado ao forno a temperatura moderada resulta no poço da morte.

Regressava eu novamente da catequese e deparei-me com estes três indivíduos brincando a algo que pode ser genericamente designado como a brincadeira do afogamento num poço. A bricadeira era simples e consistia basicamente em cada um deles, na sua vez, subir ao monte de palha e ao deslizar para a base do monte de palha gritar: “Socorro que me estou a afogar no poço. Socorro…”. Depois emitiam um som esquisito que significou para mim que se estariam a afogar porque ninguém teria aparecido para o salvamento.

Tal não teria acontecido se estivesse por lá este indivíduo, mas como apenas lá estava eu, e com muito pouca vontade de molhar os pés no monte de palha deixei que o afogamento acontecece. Na verdade eu também não sei nadar assim tão bem. E se calhar ainda seria mais um daqueles que com a ânsia de salvar alguém que acabam eles próprios vítimas de afogamento. É tal e qual como diz o povão: “Quem tem cu tem medo”.

Como diria o grande – à parte do seu vermelhismo político – Sérgio Godinho, “Antes o poço da morte que tal sorte”. Rima e é verdade.

Novembro 12, 2007

Inquietações – A injecção letal

Filed under: Inquietações — pistonczar @ 8:45 pm

Neste Verão, durante um dos dias mais insípidos e sem sol com que fui brindado nas férias, revi um filme que já havia visto à alguns anos, sendo que na altura não me apercebi de alguns factos que achei inquietantes desta vez.

O mais inquietante para mim não é que a maior parte dos estados federados dos EUA (38 dos 50) e o Japão continuarem a aplicar a pena de morte. O que mais me inquieta é o facto de, no caso de ser aplicada uma injecção letal, a enfermeira que aplica a injecção desinfectar muito bem desinfectadinha a área onde será colocada a agulha (Ver o filme acima por volta dos -6min15s). Será que esta enfermeira pensa: “Vou desinfectar esta zona, não vá este condenado à morte falecer com uma infecção nesta zona…” E continua o seu pensamento: “É que depois este condenado só morre daqui a duas semanas no mínimo… e isso calha mesmo em cima da comunhão solene do meu mais novo. E eu tenho sido uma mãe ausente a maior parte do tempo – todas estas execuções sumárias têm arruinado a minha vida familiar. Isto tem que acabar. Não a execuções, afinal de contas é este trabalho que me põe comida na mesa, mas as execuções nestes horários”. 

Toda esta brincadeira acerca dum tema bastante sério serve apenas para chamar à atenção para um dos últimos traços da sociedade actual herdados da idade média.

E agora, para aqueles que não se cansam de referir Portugal como um país retrógrado e atrasado, lembro que Portugal foi o primeiro país Europeu a abolir a pena de morte. Tal facto não é tão relevante como se tivesse sido o único país Europeu a nunca aplicar a pena de morte mas, ainda assim, é alguma coisa. Bastante importante por sinal e motivo de orgulho para todos nós.

Novembro 9, 2007

Por aí – O Tillman do skate

Filed under: Por aí — pistonczar @ 7:38 pm

Hoje vi isto no youtube. Fez-me recordar o dia em que eu, numa manobra inspirada com o skate novo do meu irmão, fiz toda a minha família lançar urros de alegria.

Na verdade, a manobra consistiu em pôr-me em cima do skate novo do meu irmão – ele próprio ainda não o tinha experimentado, e ao tentar começar a andar (ainda com apenas um dos pés no skate) e parti-lhe o eixo dianteiro. E os urros não foram bem de alegria, foram antes de gozo.

Aquele foi o skate com a menos vida útil de sempre. 5s bastaram para aquele skate pôr em prática manobras com as quais os outros skates apenas sonham. Sinto no mais íntimo de mim que aquele skate me tem eterna gratidão. Ao contrário do meu irmão que me agraciou com um período de trombas.

Novembro 8, 2007

Telhdela SA – O divertimento tipo ópio do povo

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 9:34 pm

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Todos nós temos formas de nos divertirmos. Estas formas de divertimento são bastante díspares e por vezes o que é divertimento para uns é motivo de vómito para outros. A roda dos peidos é o exemplo acabado daquilo que acabo de dizer. Esta bricadeira é uma espécie de jogo do lencinho, só que ao invés de ser praticado por crianças em idade pré-escolar é praticado por homens de barba rija na cara e não raras vezes vinho estragado no bucho. Este jogo consiste numa roda de homens, sendo que cada um deles é à sua vez deslocado para o centro da roda e tem por obrigação impressionar os restantes com a sua melhor melodia intestinal. Quem conseguir trautear a melodia mais complexa e para além disso conseguir informar os restantes elementos do que foi o seu próprio almoço, sendo que para isso os restantes elementos só poderão descobrir qual foi o almoço a partir de um dos seus sentidos – o olfacto.

Este pequeno intróito serve para apenas para introduzir o assunto dos divertimentos bizarros. Divertimentos bizarros esses que também se praticam em Telhadela. E bem mais bizarros que a propalada roda dos peidos. Certo dia, regressando eu da catequese (doutrina como diria o meu pai), estavam dois irmãos a bricar à matança do porco. Por muito estranho que isto possa parecer é possível. O jogo consistia em um dos irmãos fingir ser o porco e o outro matáva-o com uma faca da cozinha. Valha-nos o facto de não ocorrem mortes reais, mas apenas de um porco fictício. E que belo guincho fictício tinha aquele porco fictício. Depois da matança trocavam de lugares. O porco passaria a matador e o matador passaria a porco. Tão simples como isso.

O que esta brincadeira tem de bom é que consegue entreter 3 pessoas durante bastante tempo (talvez 2h), sendo essas pessoas os dois irmãos e eu próprio, que me fiz espectador e assisti àquele magnífico espectáculo numa sombra das redondezas.

Nota do provedor: Peço desculpa aos mais sensíveis pela linguagem certamente ofensiva e desnecessária usada neste post. 

Novembro 7, 2007

Injustiças – Era uma vez Sérgio Leone

Filed under: Injustiças — pistonczar @ 8:16 pm

 

A injustiça de hoje é aquela, que sem dúvida, tem sido movida a Sergio Leone. Se é verdade que este nome diz qualquer coisa à maior parte das pessoas, estas mesmas pessoas, quando inquiridas não conseguem indicar que se trata de um realizador de cinema. E das poucas pessoas que sabem que Sergio Leone é um realizador de cinema, raras são aquelas que lhe concedem a paternidade de algum filme em particular. E das raras pessoas que associam um filme particular a Sergio Leone o número de pessoas que aponta como filme realizado por Sergio Leone a sua verdadeira obra-prima é inacreditavelmente mínimo.

Na verdade, a maior parte das pessoas que conhecem Sergio Leone conhece-o pelos seus westerns com o Clint Eastwood (por ordem cronológica: Per un pugno di dollari, Per qualche dollaro in più e Buono, il brutto, il cattivo, Il), o que não é um facto estranho em si, porque estes filmes são muito bons. O estranho é que poucas pessoas conheçam a obra-prima de Sergio Leone: “Once upon a time in America“. Este filme para além de ser magnificamente filmado, sendo perceptível o dedo de Leone em todo e qualquer plano, conta também com um argumento fluído apesar de longo e com um conjunto de actores de primeira apanha, nos quais se destacam Robert DeNiro e James Woods e a beleza adolescente de Jennifer Connelly. Tudo isto conduzido e intermeado com a música magistral de Ennio Morricone, que é a única que ele sabe fazer.

O próprio Leone demorou uma vintena de anos a levar por diante o projecto para este filme, uma vez que ele pretendia que este fosse o se legado para a história, e é considerado pelo próprio como o seu melhor filme e aquele que exigiu um maior uso do seu talento. O resultado é sem dúvida admirável mas demasiado longo para o mainstream do circuito comercial (mais de 200min) para poder singrar num mundo a uma velocidade furiosa, pelo que os responsáveis pela distribuição do filme optaram por retalha-lo, obtendo uma anorexia de apenas 90min daquilo que Leone havia feito. Esta é, quanto a mim, a verdadeira razão do insucesso do filme. Não contente com tudo isto, Sergio Leone editou mais tarde a “sua” versão do filme que apesar de tudo não teve, de modo nenhum, a difusão que lhe seria justa.

A cena acima é para mim a melhor do filme, e retrata o reencontro de dois amigos de infância e juventude ao fim 35 anos. Magistral.

Novembro 6, 2007

Telhadela SA – A moca

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 9:19 pm

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Hoje escrevo especialmente para aquela malta que vem ter comigo e me diz: “Ah e tal e coiso… A verdade é que em Telhadela não há perseguições a altas velocidades que terminam invarialvelmente com um dos indivíduos a espancar o outro…”. Sosseguem meus caros amigos, porque em Telhadela também há disso. Porque em Telhadela há de tudo o que é realmente bom.

Os acontecimentos que hoje relato têm alguns anos e tiveram como actores principais alguém que a partir de agora vou chamar Billy Corgan (que é, como todos devem saber, o vocalista dos Smashing Pumpkins) e Pelé (antiga estrela do futebol brasileiro). Os nomes não são, obviamente, escolhidos ao acaso.

Tudo começou quando Pelé, que atravessava a volta do S. Martinho, acelerou para conseguir colocar-se à frente de Billy Corgan, que circulava vindo da estrada do Dias. Tal acto de Pelé enfureceu bastante Billy Corgan que detesta a todos os níveis que lhe passem à frente. Movido pelos seus instintos mais evoluídos, Billy Corgan resolveu encetar uma violenta perseguição (do género “The Fast and the Furious”) a Pelé, de modo a repor a verdade dos factos. Ao fim de várias tentativas goradas, lá conseguiu ultrapassar Pelé. Porém para Billy Corgan não bastava ter provado que o seu carro é mais veloz e que ele conseguia pôr em risco a vida dos restantes automobilistas de uma forma bem mais consistente e eficaz. Billy Corgan precisava de mais. Billy Corgan precisava de provar ao mundo que era também melhor lutador que Pelé. Assim, ao ultrapassar Pelé, Billy Corgan atravessou o seu bólide de modo a que Pelé não conseguisse passar (bem como qualquer outro automobilista… daí que eu tenha presenciado esta cena). Billy Corgan sai a correr do seu automóvel, já munido de uma barra de ferro (aparentemente Billy Corgan conduz com uma barra de ferro na mão…) e vindo em direcção ao automóvel de Pelé grita-lhe que lhe iria partir os dentes, denotando também um franco conhecimento da mãe de Pelé. Billy Corgan concretizou a sua promessa. Depois de Pelé já ter a boca cheia de sangue e gritar para os espectadores: “Me acudam! Ele está-me agredindo!”, Billy Corgan lembrou-se que deveria também presentear Pelé com uns belos golpes de moca – que estava bem guardada na mala do carro de Billy Corgan, não vá haver um sujeito que lhe passasse à frente na estrada. Neste momento um espectador interrompeu a bulha, com muita pena minha, já que estava desejoso de ver como é que Billy Corgan manejava a moca.

Se há coisa que eu aprecio realmente são estas demonstrações de civismo e respeito pelos outros. O meu muito obrigado ao Billy Corgan e ao Pelé por esta demonstração ao vivo.

Lembrei-me deste episódio devido àquele penoso acidente que ocorreu ontem na A23 e encheu os meios noticiosos durante todo o dia de hoje. É sinistro mas é verdade. Peço desde já desculpa às famílias enlutadas.

Novembro 5, 2007

Inquietações – O planeta

Filed under: Inquietações — pistonczar @ 9:09 pm

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Hoje, enquanto almoçava na praia, veio-me à cabeça algo inquietantemente ridículo ou ridiculamente inquietante. Não sei bem qual deles será o mais adequado, mas talvez ambos sejam adequados.

Enquanto olhava o horizonte (já que não havia nada mais interessante para olhar…) pus-me a pensar na forma do planeta Terra. As vezes penso nestas coisas. Mas não muitas… e ainda bem. A forma do planeta Terra é a de um geóide. O que traduzido por miúdos quer dizer uma esfera que levou um amasso em cada um dos pólos. O me inquieta em tudo isto não é a forma em si, mas sim o nome que lhe dão. Então não é que chamamos planeta (que está mesmo a dizer que é algo plano) a algo que é aproximadamente esférico, sendo, portanto, bem mais próximo de curveta (que é como quem diz curva).

Por tudo isto, proponho uma manifetação de protesto de mulheres nuas na casa dos 25 amanhã à porta de minha casa. Conto convosco.

A propósito, hoje estava um belíssimo dia na praia. Um dia como poucos deste Verão.

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