No seguimento do post de ontem, hoje prossigo com mais um exemplo de que a sociedade portuguesa não está perdida. Porque não está. Estará ganha? Ajuíze o meu caro leitor.
Ontem citei um exemplo de um adolescente forasteiro, pelo que hoje falarei de um adulto de Telhadela. É justo, porque em Telhadela também acontecem coisas. As melhores coisas.
Ia eu em conjunto com um alargado grupo de pessoas em direcção à Igreja para também eu lutar pela salvação eterna, quando uma senhora sexagenária, tropeça num corte na estrada, daqueles devidos à abertura de valas para fazer passar os tubos do saneamento básico. A senhora caiu redonda com os joelhos e com a boca no chão, sem nem sequer usar as mãos para se proteger da queda. O seu filho, que caminhava à sua frente, ao vê-la cair virou a cara e exclamou irritado: “Caralho foda esta merda! Sempre no chão! Foda-se! Levante-se!”, e seguiu o seu caminho em direcção à vida eterna, porque já estava atrasado para ir cumprir os mandamentos da lei de Deus – a missa estava mesmo a começar, e todos nós sabemos quão inflexível é Nosso Senhor quanto aos atrasos.
Há uma expressão, que eu cito de memória, que diz que o grau de evolução de um povo pode ser medido directamente a partir da forma como esse povo trata as pessoas nos extremos da vida – as crianças e os idosos. E mais não digo.
