Hoje acordei com a minha veia egocêntrica especialmente latente, pelo que escreverei sobre a minha magnífica pessoa. Porque também eu sou uma parte de Telhadela, certamente não das mais importantes, mas ainda assim uma parte. Vou também dar azo a algum do revivalismo que tenho entranhado na pele, escrevendo uma redacção sobre o meu cão. Não é algo de inédito, já que todos nós já escrevemos sobre o nosso próprio cão algures na magnífica Escola Primária de Telhadela. Daí que todos os parágrafos tenham que começar por “O meu cão…”, porque são estas as regras da Escola Primária e todos os parágrafos têm de começar com o título da redacção. E as regras são para cumprir.
O meu cão é pequeno e saltitão, especialmente quando está alguém a olhar para ele. Na verdade não sei como é que ele aje quando ninguém está a olhar para ele, uma vez que nem eu próprio estou a olhar para ele, mas suponho que não esteja tão activamente a tentar captar a nossa atenção.
O meu cão é castanho e eu gosto muito dele.
O meu cão é lindo e é melhor que os vossos cães.
O meu cão daria uma tareia das antigas a qualquer um dos vossos cães e mesmos a vós próprios.
O meu cão tem o nome de um membro da aristocracia. Apenas porque sim. Ou talvez não. Talvez porque o meu pai (quem lhe deu o nome) seja absolutamente contra a monarquia. O meu pai talvez ache que apenas os cães devem ter títulos aristocráticos, ou então que todos os que têm títulos aristocráticos sejam cães. É capaz de ser isso.
O meu cão tem o mesmo nome que um outro cão que eu tive na minha infância, e a propósito do qual eu escrevinhei a minha própria redação sobre “O meu cão” na escola primária. E não foi apenas uma redacção, mas fiz também um magnífico desenho. Que eu não colori, porque o meu cão era completamente branco. A professora, estranhando a entrega de um trabalho inacabado questionou-me acerca da falta de cor do meu cão. A minha resposta foi lacónica: “Não pintei porque o meu cão é branco como a folha de papel, pelo que não vale a pena colori-lo. Ele já está colorido na sua cor natural”.
O meu cão antigo (o branco) gostava bastante de bricadeira. Eu tinha um jogo preferido com ele que funcionava como uma espécie de roleta russa e consistia no seguinte: eu pegava-lhe no rabo e colocava-o na boca dele e com a minha mão apertava-lhe os maxilares, fazendo com que ele mordesse o rabo dele ou as minhas mãos. Era bem divertido e dava adrenalina dos diabos, porque eu nunca sabia o que iria acontecer. Ainda não experimentei esta mesma brincadeira com o meu cão actual (o castanho), mas fa-lo-ei em breve.
