A propósito deste post, lembrei-me de uma interessante manhã de alegre convívio entre um pai e um filho. Algo que é anglo-saxonicamente chamado quality time, mas que na língua de Camões resulta num bastante mais abrutalhado “tempo de qualidade”. É uma história de amor e ternura, onde um pai ensina ao seu filho algumas dos pressupostos mais importantes para a vida na sociedade actual.
Era domingo de manhã, e tal como em todos os domingos de manhã, o começo era marcado pela ida à missa. Regressados da luta pela vida eterna, este pai e este filho repararam que havia um gato preso numa jaula – que tinha sido previamente concebida para tal efeito, o que significava que estes dois indivíduos tinham uma tarefa entre mãos. Nada mais nada menos que salvar o gato e conduzi-lo à vida eterna. Para além desta missão principal, este pai e este filho tinham também como objectivo verificar se era ou não verdadeira a premissa popular que diz que os gatos têm 7 vidas.
E agora? Que fazer com o gato? Este pai teve logo a ideia que o melhor seria purificar a alma do gato através de descargas eléctricas. E quantos choques eléctricos seriam necessários? Na realidade foram bastantes, já que foi necessária uma boa meia hora de descargas eléctricas consecutivas para salvar da perdição da vida terrena aquele gato pecador.
Isto é aquilo a que se pode chamar uma manhã de domingo bem passada.
Já no século XV (ou XVI…) Leonardo da Vinci dizia, sempre que instado a falar sobre o assunto:
“Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem”.
Pois bem, caro Leonardo, esse dia ainda não chegou. E não me parece que se aproxime a grande velocidade.
