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Outubro 11, 2007

Telhadela SA – Doutoramento em Manuel – Parte I

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:28 pm

Hoje vou quebrar uma regra. Não é meu hábito referir directamente o nome e a alcunha de determinada personagem sobre a qual discorro num post, mas hoje vou quebrar alegremente esta regra.

Todas as aldeias tem as suas figuras mais típicas. E Telhadela não foge à regra. A única diferença é que em Telhadela, tal como tudo o resto, as figuras típicas são ainda mais típicas. Tão típicas que chegam as ser atípicas. O que acontece em Telhadela é algo semelhante àquelas cabaças de tamanho monumental (algumas do tamanho dos Jerónimos – não de Sousa, mas Mosteiro) que anualmente polvilham a parte final dos serviços noticiosos televisivos na época das colheitas.

Manuel Doutor é, e digo isto convictamente, a figura mais típica de Telhadela. Tem perto de 80 anos (tenho ideia que nasceu em 1929) e vive num pardieiro, apesar de ter bens suficientes para não precisar de o fazer. Na sua juventude foi taxista, sendo que ainda mantém o automóvel que usava (qual é a marca e o modelo? alguém sabe?), tendo-lhe dado usos bastante diversos ao longo do tempo, nomeadamente galinheiro. Uma questão se levanta: como será que este homem perfeitamente normal descarrilha e se transforma naquilo que é hoje em dia? Há várias teorias, nomeadamente a de que uma paixoneta mal resolvida. O que me parece bastante plausível. A este propósito lembrei-me de um poema de Bocage, aquele que é unanimemente considerado o poeta do povo (quanto mais não seja por mim!). O poema reza assim:

Tinha de uma cadela um cão fome canina,
Ele bom perdigueiro, ela de casta fina:
Mil foscas lhe fazia o terno maganão,
Mas gastava o seu tempo, o seu carinho em vão.

Dando no chichisbéu dentada e mais dentada,
A fêmea parecia uma cadela honrada
E incapaz de ceder às pretensões de amor.
Mas o amante infeliz foi sabedor

De que a mesma, em que via ações tão desabridas,
Era co’um torpe cão fagueira às escondidas.
Se és sagaz, meu leitor, talvez tenhas visto
Cadelas de dois pés, que também fazem isto.

P.S.: Este post nem precisava de texto. Se há imagens que valem mil palavras, esta é, concerteza, uma delas. Ainda assim, há muito mais a dizer sobre o Manuel Doutor, algo que vou fazer numa próxima oportunidade, num post pomposamente chamado Doutoramento em Manuel – Parte II. Me aguardem.

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