PistonCzar Spot

Outubro 31, 2007

Injustiças – A vida de cão

Filed under: Injustiças — pistonczar @ 8:13 pm

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Ao passar por este cão lembrei-me de Alexandre O’Neill. Não que eu ache que ele próprio é um cão, mas sim um interessante poema escrito por seu punho. Este poema vai mais ou menos assim:

CÃO

Cão passageiro, cão estrito,

cão rasteiro cor de luva amarela,

apara-lápis, fraldiqueiro,

cão liquefeito, cão estafado,

cão de gravata pendente,

cão de orelhas engomadas,

de remexido rabo ausente,

cão ululante, cão coruscante,

cão magro, tétrico, maldito,

a desfazer-se num ganido,

a refazer-se num latido,

cão disparado: cão aqui,

cão além, e sempre cão.

Cão marrado, preso a um fio de cheiro,

cão a esburgar o osso

essencial do dia a dia,

cão estouvado de alegria,

cão formal da poesia,

cão-soneto de ão-ão bem martelado,

cão moído de pancada

e condoído do dono,

cão: esfera do sono,

cão de pura invenção, cão pré-fabricado,

cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,

cão de olhos que afligem,

cão-problema…

Sai depressa, ó cão, deste poema!

Por esta altura estará o leitor a questionar a injustiça patente neste post. A injustiça maior é que eu poderia muito bem ter guardado para mim este desinteressante pensamento para mim e não o fiz. Para além disso, eu hoje trabalhei 10 horas e este cão passou todo este tempo a dormitar sob um amigável sol de Novembro. E ainda dizem que os humanos são a única forma de vida inteligente na Terra. Eu tenho dúvidas. No mínimo tenho dúvidas.

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Outubro 30, 2007

Telhadela SA – A parábola da Julia Roberts

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:56 pm

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Para vós o PistonCzar é aquilo que em tempos foi para mim a Júlia. Aparentemente esta frase não tem qualquer significado, mas no final deste post eu vou repeti-la e os meus caros amigos verão que faz todo o sentido.

Uma coisa que eu acho estranho nos textos do Pai Criador é a total ausência de parábolas usando a Julia Roberts. A razão para tal estranheza é muito simples e pode ser facilmente explicável através de um neologismo criado por mim agora mesmo. Em minha opinião a Julia Roberts é bastante “parabolizável” (cá está o neologismo) e acho que Jesus Cristo perdeu muitas (quiçá demasiadas) oportunidades de a usar como personagem em parábolas. Como tal hoje, eu, como pai criador desta humilde imundice, vou fazer escrever uma parábola usando como personagem principal a Julia Roberts. Vou usar também como personagem secundária e deprimente este que aqui vos escreve e também um não menos secundário e deprimente grupo de amigos.

Naqueles tempos (não sei porquê mas parece-me que este é um começo ganhador para uma parábola… acho que são as que vendem mais…) eu e o meu deprimente grupo de amigos vivíamos fascinados por uma miúda que aos nossos olhos míopes era a irmã gémea da Julia Roberts. Porém, depois de questionadas algumas pessoas com a sanidade mental não afectada, verificámos que a semelhança não deveria ser assim tão evidente, uma vez que houve até quem a achasse mais parecida com a Penélope Cruz. Mas ainda assim nós vivíamos numa tão alegre fantasia que não nos apetecia mesmo nada despertar para tão triste realidade.

A Júlia era um assunto recorrente nas nossas conversas, até ao dia em que um dos meus colegas (o mais tresloucado de todos…) conseguiu numa manobra de secretaria desobrir vários aspectos sobre a pessoa que para nós era a Julia Roberts. Afinal de contas o nome dela não era Julia, mas era um arrepiante Carla Daniela (chiça!!! haverá pior nome no mundo?!?). Para além do nome, tinhamos também a informação de onde morava e a sua data de nascimento, pelo que a partir de agora teríamos informações mais que suficientes para chegar perto dela e encetar uma converseta.

Passados alguns dias, encontrei-a no autocarro com um lugar vazio ao seu lado e pensei: “Bom desta é que vais ser… vou sentar-me ao lado da Julia e vou conversar com ela a viagem toda.” E é verdade que me sentei ao lado dela, mas não falei. E porquê? Porque ela exalava uma fedorento hálito a cebola (facto relevante: eram 8h da matina), de modo que tudo o que eu queria era que ela mantivesse aquela boca mal-cheirosa fechada. Garanto-vos até que só não me levantei daquele lugar, porque não havia mais nenhum no autocarro e a viagem ainda era longa. Mantive-me no entanto o mais afastado possível dela.

O mito havia sido completamente destruído e só agora eu o percebia. Eu acabara de me sentar não ao lado da Júlia – tal como havia pensado anteriormente, mas ao lado da Carla Daniela. E a Carla Daniela, ao contrário da Júlia, cheirava mal da boca e eu queria era estar longe dela.

Por isso é que vos digo meus caros amigos: Para vós o PistonCzar é aquilo que em tempos foi para mim a Júlia. E não queram conhecer a Carla “boca mal-cheirosa” Daniela que há por detrás do PistonCzar porque só poderão ficar desiludidos. Porque na verdade eu sou bem pior que o sofrível escritor que vos dedica estas linhas. A minha existência real consiste num individuo baixo e gordo com uma gigantesca verruga cabeluda no nariz. E ninguém quer conhecer um tal indivíduo.

Espero que este post resolva de forma suficiente as questões que têm sido levantadas aqui acerca da minha identidade real. Caso não seja este o caso, é favor ver aqui.

Outubro 29, 2007

Inquietações – Ainda te hei-de ver em Vacaria

Filed under: Inquietações — pistonczar @ 8:40 pm

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Há algum tempo, numa das minhas incursões pelo que de mais profundo existe em Portugal, encontrei uma aldeia chamada Vacaria. Na verdade não é assim tão profundo. Fica logo ali no concelho de Oliveira de Azeméis, na freguesia de Carregosa. Podem ir lá confirmar se os vossos apetites vos conduzirem em tão inútil direcção.

Ao passar pela sinalização vertical que indicava que estava a entrar na aldeia de Vacaria, pus-me a pensar: “Como diabo se chamarão os habitantes da Vacaria?”. É que, para mim, os habitantes de uma vacaria chamam-se vacas. Por tudo isto pensei que este nome de aldeia não foi muito bem escolhido. O que me parece é que quem escolheu o nome da aldeia foram os seus próprios habitantes, sendo que como estes estavam bastante ocupados a transferir o conteúdo do estômago para a boca e vice-versa, escolheram para a aldeia a primeira coisa que lhes veio à cabeça. E a primeira coisa que lhes veio à cabeça foi exactamente aquilo que os circundava.

Nota de rodapé: Como se pode ver na imagem também há vacas roqueiras. Lá na aldeia diz-se simplesmente que estas devem mas é andar metidas na droga.

 

Outubro 26, 2007

Por aí – Visionamento de um apresentador assustado

Filed under: Por aí — pistonczar @ 8:14 pm

 

Às sextas-feiras tenho sempre uma grande dificuldade em escrever aqui seja o que for. Para me livrar deste fardo, hoje resolvi publicar aqui um video muito curtinho, mas ainda assim muitíssimo sumarento. Visionem e verifiquem onde o horror pode chegar!

Outubro 25, 2007

Telhadela SA – A “e s t r a d a” do Vale Grande

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:15 pm

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Hoje vou discorrer sobre um assunto que tem sido levantado várias vezes neste estaminé, nomeadamente pelos meus caros amigos Margens do Caima e pelo CSI. Para os meus leitores mais dasatentos, refiro-me obviamente à estrada do Vale Grande.

Começando pelo início, realço de imediato que me parece muito bem a estrada do Vale Grande. Acho que tem um belíssimo piso betuminoso, especialmente concebido para ser drenante, o que evita o sempre desconfortável “spray” levantado pelos automóveis que circulam à nossa frente naqueles dias mais chuvosos. O princípio de funcionamento deste tipo de pavimento é muito interessante: as gotículas de água ao cairem no pavimento da estrada infiltram-se imediatamente nos vazios do pavimento e escorrem-se directamente para as valetas através de canais existentes no miolo do pavimento. E esta é uma das razões porque me parece que o pavimento da estrada do Vale Grande é realmente especial, é que as gotas de água cabem sempre nos vazios do pavimento por maiores que estas sejam. A estrada do Vale Grande tem capacidade de “engolir” gotículas de água do tamanho de bolas de basquetebol, tais são as dimensões dos vazios.

Para além disso, eu acho que o uso deste tipo de pavimento de alta qualidade por parte das autoridades autárquicas revela uma extrema atenção para com os habitantes de Telhadela. Faço ideia quanto é que não custou ao orçamento autárquico arranjar um pavimento betuminoso que para além de drenante é também invisível. Por acaso nunca comprei pavimento betuminoso drenante, mas tenho a impressão sincera que deverá ser o mais caro, uma vez que não causa qualquer impacto visual, o que deve agradar de mesmo aos ecologistas mais fanáticos.

Nota de rodapé: A imagem que ilustra este post é a de um indivíduo com uma dentição tão completa e tão perfeita, que ao olhar para ela lembrei-me imediatamente da estrada do Vale Grande. Se repararem com atenção as semelhanças são impressionantes.

Outubro 24, 2007

Injustiças – The Invisible Band

Filed under: Injustiças — pistonczar @ 8:27 pm

 

Era este o nome de um dos álbuns do grupo escocês Travis e parece-me que tal facto não acontece por acaso. Esta tem sido uma banda, que quanto a mim, tem sido continuadamente deixada para segundo plano, quando me parece que o seu lugar por direito próprio seria no topo.

O síndroma que me parece que afectou este fantástico “grupo de baile” (adoro esta expressão e tenho pena de não usar mais vezes…) foi o de ter razão cedo de mais. É minha sincera convicção que ter razão antes do tempo poderá ser uma das formas mais irritantes e perniciosas de se ter razão. Se um indivíduo (ou grupo) segue determinado rumo – por muito correcto que seja, e se a restante sociedade seguir um rumo distinto, a maioria imperará. Este é, para mim, o grande problema da sociedade actual – o excesso de “rebanização” ou como também se costuma dizer – inclusivamente em debates político (daí que ninguém entenda…), o seguidismo excessivo.

Como nota de rodapé, o vídeo que ilustra este post é de uma das canções dos Travis, retirada do álbum “The man who” e intitula-se “She’s so strange” e tem uma letra absolutamente deliciosa. Deliciem-se! 

Outubro 23, 2007

Telhadela SA – As “buídas”

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 8:22 pm

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Ontem fui com uma rebanhada de colegas comer umas moelas e umas bifanas e beber umas cervejas a um tasco. De vez em quando sabe bem este tipo de petiscos regados a preceito. Enquanto lá estava veio-me à cabeça uma história passada em Telhadela há já alguns anos, em que determinado sujeito convida um amigo seu para confraternizar em sua casa. Bem… vou mas é deixar-me de rodeios e contar-vos o que se passou.

Determinado indivíduo ao qual a partir de agora vou apelidar de indivíduo A, convida outro indivíduo para beber uma cerveja em sua casa. Palavra a reter aqui? Uma.

Pois bem, uma vez lá chegados o indivíduo A pede carinhosamente à filha que faça o favor de ir buscar-lhe uma cerveja gritando-lhe: “Ó caralho! Vai lá dentro ao frigorífico e traz-me aquela cerveja que lá está!”. A filha, muito deligente, vai logo cumprir o desejo de seu pai, que com estremosa afeição lhe havia dedicado um frase tão simpática. Uma vez chegada ao frigorífico, apercebeu-se que não havia lá qualquer cerveja. Voltou depressa para junto do seu amigável pai para o informar de tão infeliz novidade, ao que o seu pai retorquiu imediatente com um uivo de simpatia: “Ó caralho! Então onde está a cerveja que eu deixei lá ainda agora?”. E a sua filha respondeu-lhe timidamente gritando: “A mãe bueu-a!”.

Por isso, caros amigos, antes de convidarem algum amigo para vossa casa, certifiquem-se que a vossa esposa não ataca na pinga. Porque de outro modo pode muito bem acontecer-vos o que aconteceu ao indivíduo A. E se há vergonha que me parece absolutamente insuportável é quando a mulher consegue beber a última ceveja. Em casa só pode haver um bêbado. E deverá ser o homem. Exactamente da mesma forma que deverá ser este a usar as calças.

Outubro 22, 2007

Inquietações – O camionista jovial (Tradução livre de ” The gay lorry driver”)

Filed under: Inquietações — pistonczar @ 7:53 pm

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Escrevo-vos hoje para vos dar conta que mariquice chegou ao que eu julgava ser o último grande bastião do macho latino. Um destes dias, ia eu pacificamente na autoestrada, quando o meu campo de visão foi atingido com uma imagem que bem poderia ter sido usada por Dante Alighieri para descrever o inferno. O que eu vi foi nada mais nada menos que o que está documentado na fotografia acima. A imagem, que não é perfeita, apresenta um camião com uma ilustração inspirada no filme “Titanic”, com o barco em fundo e o parzinho romântico em primeiro plano. Haverá maior sinal de rabetice? Realmente não sei, e siceramente não tenho qualquer vontade de descobrir. Se alguém o souber faça o favor de não mo dizer.

Outubro 18, 2007

Telhadela SA – A fluorescência

Filed under: Telhadela SA — pistonczar @ 7:07 pm

A propóstito deste hilariante vídeo do Ricardo Araújo Pereira, veio-me à memória uma história batida (frase adaptada de uma letra de Sérgio Godinho).

Todos nós sabemos a necessidade que os homens têm de ser maiores e melhores em alguma coisa. É algo tão inexplicável como genético. Para além de aspectos óbvios em que os homens tentam ser os maiores e os melhores, tal como o maior em altura, o maior em peso, o mais rico, o que tem a casa maior, o que tem o carro mais moderno, o que tem mais lâmpadas flurescentes em casa. Pronto, este último talvez não seja assim tão vulgar. Mas em Telhadela já houve um indivíduo que se gabava aos sete ventos (pelo menos aqueles sete ventos que arejam os tascos da aldeia) que era o homem da freguesia que possuia mais lâmpadas flurescentes em casa. E porque é que ele se gabava de uma facto aparentemente tão irrelevante? Bem, porque todos os outros factos mais interessantes já citados anteriormente tinham dono.

Este indivíduo afirmava que tinha lâmpadas flurescentes em todas as divisões de sua casa, o que deve ser bastante cómodo, especialmente na casa de banho. Já o estou a imaginar num dia em que a torneira anal não consegue conter o fluxo castanho. Vai ele a correr para a casa de banho com a intenção de se aliviar, e uma vez lá chegado caga no bidé, porque a luz ainda não está completamente acesa e só se consegue ter uma imagem bastante ofuscada das porcelanas.

Com este post estou obviamente a candidatar-me ao lugar de mais idiota da aldeia. A luta que se avizinha não se vislumbra nada fácil.

Nota do provedor: Neste post foi usada linguagem impregnada de povo, já que os factos relatados também o são. 

Outubro 17, 2007

Por aí – Banda sonora de hoje

Filed under: Por aí — pistonczar @ 6:54 pm

Por causa disto:

http://videos.sapo.pt/h6uBGMq4DvQFRTUwsk4J

Estive vidrado nisto o dia todo:

E assim acontece.

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