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Agosto 29, 2007

Injustiças – Carlos Paião 19 anos depois

Arquivado em: Injustiças — pistonczar @ 6:22 pm

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No passado dia 26 cumpriram-se 19 anos sobre o falecimento de Carlos Paião. É assim que deverá estar depois destes anos todos.

Acho que que a história foi muito injusta para com ele. Foi um dos compositores portugueses mais prolíficos, sendo grande parte das suas composições muito boa. Escrevia sobre absolutamente tudo deste mãos a combóios, nunca caindo na facilidade de escrever sobre amores perdidos ou sonhos de meninos, sendo que aparentemente tudo lhe saía bem. Compunha com alegria sobre a alegria. Paradigma dessa alegria é a minha canção favorita dele, cantada a meias com Herman José:

“Prás sogras que encontrei na vida”

Prás sogras que encontrei na vida
Atrás da sua filha querida
Cá do meu coração
Dedico esta canção
Às sogras que aturei na vida

As sogras que na vida tive
Não sei se alguma sobrevive
Aquela em que bati
A outra em que mordi
Eram piores que Deus me livre

As ricas sogras que a mim calharam
Deram-me um galo que eu sei lá
Foram as sobras que prái restaram
Das boas sogras que acho que ainda há

Ter uma sogra sempre ao lado
É bem pior que ser multado
Tive uma que acordava
De noite então gritava
Mais surda que um pneu furado

Prás sogras nunca fui bem vindo
Dizem que eu sou um ganda índio
Uma até fez macumba
E outra catrapumba
Partiu-me o meu nariz sorrindo

Quantas pessoas tem uma família
E a sogra logo é a mãe delas
Se ao menos fossem peça de mobília
Iam fora pela janela

Deram-me cabo das finanças
Gozavam com as minhas tranças
Mandavam-me prá tropa
Punham moscas na sopa
Nem falavam sobre heranças

Mas pra que é que as noivas trazem mãe?
Defeitos já a filha tem
Mas um dia hás-de ver
Que a filha ainda vai ser
Tão sogra como a mãe

Se é verdade o mito que a justiça tarda mas não falha, Carlos Paião será concerteza elevado a ícone da música portuguesa que é esse afinal o seu lugar por direito próprio.

É nestas alturas que tenho vontade de acreditar no princípio budista da permanência das almas na vida terrena. O mundo com a alma de Carlos Paião será concerteza um mundo mais feliz, nem que essa alma esteja alojada no corpo dum verme.

3 Comentários »

  1. tudo o que possa dizer de carlos paiao é pouco tanto pelo homem como pelo artista.é para mim o maior artista portugues de todos os tempos que deu tanto em troca de pouco e por vezes nada.onde quer que estejas carlos estás a rir e a sofrer pelo teu benfica. só tive o prazer de me cruzar contivo ao vivo uma vez. mas sei de ti tudo nao importa escrever aqui por quem mas tu sabes claro.
    goria eterna a carlos paiao homem-medico-autor-compositor mas acima de tudo um filho extremoso. abraço carlos

    Comentário por jorge — Dezembro 5, 2007 @ 3:33 pm

  2. Olha tudo o que possa ser dito a respeito do Carlos Paião nunca será de mais para quem fez o que fez pela música portuguesa e nao só- Passou por esta vida sem nunca ter dito a palavra NAO. Tinha sempre uma palavra amiga e ……bom que mais hei-de dizer?? Apemas que SOU PRIMO DELE.Sim SOU e nao FUI porque ele estará sempre connosco. Se precisares de informações ou material escreve para o meu e-mail. Um grande abraço e obrigado por este site.

    Comentário por jose manuel — Outubro 3, 2008 @ 12:35 pm

  3. boa tarde!!
    sou fã do carlos paião desde que me conheço como gente, e estou a formar uma tuna, e gostaria de obter material sobre ele, para poder mostrar ao mundo, as letras de um grande compositor/interprete…dado que vi o comentário do seu primo( jose manuel), gostaria que por favor me cedessem o seu e-mail, para futuro contacto. agradecida desde ja.

    Comentário por joana — Outubro 25, 2008 @ 3:42 pm


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